segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ALÉM DA AUGUSTA E
DA AVENIDA SÃO JOÃO


Aqui Haroldo de Campos envolve poesia num jardim imenso de rosas. Os versos cosmopolitas se confundem nos reflexos das avenidas congestionadas. Enquanto isso, Veríssimo nos embriaga pela "Décima Segunda Noite" e disfarça doçura com um espetáculo de "Orgias". Aqui os passos têm pressa. Aqui os passos têm ritmo enquanto descem entre os riffs da Teodoro Sampaio e se rendem ao chorinho da Calixto no cair da tarde. E o concreto abstrato de suas paredes se faz arte - às vezes, ditongo desvairado. Aqui a garoa não é metáfora, nem antítese. Aqui o vai e vem se faz fábula, parábola e alegoria - nada do que não era antes.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009


A 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo trás uma lista irresistível de filmes, de trilhas, de estórias. E desta vez, a Mostra vem acompanhada pelo Festival Online [o primeiro no mundo], através da The Auteurs [uma comunidade online de filmes independentes e clássicos].
Para saber mais sobre a Mostra e montar a sua sessão de filmes, clique aqui: GUIA DA MOSTRA
Para vasculhar o Festival Online, clique aqui: http://www.theauteurs.com

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O DIA QUE VEM
Ela procura coerência e encontra acaso. Ela disfarça necessidade com humor sutil. [Ela espera o dia que vem]. Ela esbarra nos mesmos versos em tonalidades de acaju. Ela tropeça na bossa-nova, mas a bossa, já não é mais tão moça assim. Ela cuida do que [ainda] é eterno [no rock, no pop, no ska] e espera o dia que vem devagar.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

ARTE DE AMPLO ESPECTRO


"Cuide de Você" poderia ter sido apenas a última frase de um e-mail de despedida. Poderia parecer [in]delicado. Poderia ser [des]necessário. Poderia ser tudo isso junto e ainda assim ser apenas uma maneira [des]cuidada de pedir cuidado. Mas quando você está diante de "Cuide de Você", na versão da Sophie Calle [aquela que recebeu o tal e-mail do até então namorado, terminando a relação por e-mail], você vê cores, vê movimentos, vê [dis]sabores que não são dela de fato, mas são tão bem desenhados e articulados, que você [quase] se deixa enganar. Afinal, ela não respondeu ao e-mail. Ela não telefonou pedindo satisfações. Ela enviou o e-mail para 107 mulheres e pediu que cada uma delas interpretasse a tal "carta" de acordo com suas profissões. Disso, fez uma exposição de um sentimento que não é dela, mas é como se fosse. Como ela mesma diz: "Uma forma de ganhar tempo antes de romper. Uma maneira de cuidar de mim".
A exposição esteve em São Paulo semanas atrás, e confesso ter saído de lá tentando [também] ganhar tempo antes de romper parágrafos que não são tão meus. E convenhamos: romper laços que não mais existem requer sobriedade, e às vezes ela me falta.
Fotografias da exposição: "Cuide de Você", por Sophie Calle
Sobre Sophie Calle: http://www.sophiecalle.com.br/

domingo, 16 de agosto de 2009

VIDEOTAPE

Ela o desenha em traços mínimos, discretos, sussurrados. Ele a separa em sílabas tão mínimas quanto os traços dela. Ela precisa de cores em sustenido. Ele prefere a repetição poética dos fonemas todos, enquadrados em alguns milímetros em preto e branco. Ela não quer sequências óbvias. Ele muda a ordem das coisas. Das coisas todas. Em sintonia. Em breves batimentos minimalistas.

[P.S.: Esta é minha versão para a música "Videotape" do Radiohead]

domingo, 2 de agosto de 2009

ENCONTROS & DESPEDIDAS
É preciso leveza para se pertencer, e alguns encontros e desencontros para ser [in]completo. Esta música fala sobre isso. Sobre nós. Sobre as coisas que não temos mais. Das coisas que teremos para sempre... [Hoje ele faria aniversário]
Maria Rita - Encontros e Despedidas

domingo, 19 de julho de 2009

31th
As narrativas todas escapam. E você, que já não tem mais idade para chorar sem motivos, as recolhe em ordem biográfica. Os versos todos são desprovidos de rimas. E você, que ainda não tem idade para se esconder em licenças poéticas sofisticadas, os toma como verdades absolutas.
Sim, você. Aquela que coleciona sentimentos desnecessários, que viveu em histórias emprestadas, que rabisca aforismos fora de rítmo. Aquela, das verdades em cores absolutas, dos argumentos em parágrafos relativos. Você, dona das narrativas em todas as pessoas, escapa. Tento usar dos pronomes oblíquos, mas aos 31, chamo de "você" a parte de mim que acusa "aquela" me pertence por direito.
Aos 31, já não posso mais ser somente eu. Sou feita de referências. Umas bibliográficas. Algumas afetivas. Outras tantas que não sei de onde vieram...
"... Nós vivemos em bares. E dançamos em mesas."
[Lived in Bars - Cat Power]

domingo, 5 de julho de 2009

ELOGIO AO AMOR
O meu amor tem quatro tempos. Tem imagens e diálogos que se completam em telas duplicadas. Tem falas em preto e branco. Tem olhares nas cores todas. Tem passado em verde-limão, em sépia, em vermelho rubi. O meu amor tem ritmo descontínuo. Tem inquietação. Tem tranquilidade. O meu amor não é pronome possessivo. O meu amor tem pronomes de ângulos oblíquos. Tem teoremas que escapam entre as expressões.
Elogio o amor para conservá-lo. Para sentí-lo sempre por perto. Para aprender sobre o cuidado das coisas todas. Das que não vejo. Das que não entendo. O meu amor tem alguns traços de Godard.

terça-feira, 23 de junho de 2009

O PLURAL DOS OUTROS LUGARES
Ela já tinha dançado alguns descompassos, em outros passos, usando outros sapatos. Era dona de trechos ritmados. Era dona do plural dos outros lugares. Lugares que não eram seus de fato. Lugares que já foram conjugados. Fora dos modos. Fora dos gêneros todos.

domingo, 31 de maio de 2009

O EXERCÍCIO DAS PEQUENAS COISAS


Os dias têm sido curtos demais para o amontoado de prazos que têm se acumulado. Mas ainda são suficientes para o exercício das pequenas coisas. Dos mais recentes, tem a repetição de abraços apertados na chegada da Giseli, que após alguns anos em Portugal, resolveu voltar para casa, para os amigos, para as pequenas (grandes) coisas. E na chegada ao aeroporto, senti(mos) aquele friozinho típico de quem está morrendo de saudade, de quem precisa dizer tudo que se passou até então, mas que só se consegue compartilhar alguns abraços apertados. Hoje também foi um dia assim, cheio de pequenos (grandes) gestos de gentilezas. Algumas horas se passaram e a imagem do Júnior, correndo entre as plataformas, com um sorriso delicioso, de quem está mais que atrasado, só para me dar um abraço e vários beijos, valeu o dia, o cansaço, as horas todas. E a gentileza do André, ao nos proporcionar aquela cena toda, me faz abrir alguns parênteses, e abusar das reticências (...) Adoro vocês. No superlativo.
Ludov - Princesa